Victoria: uma jovem confiante de Portugal descobre a liberdade naturista após dois anos de treino no ginásio, percebendo que o seu corpo merece sol, confiança e autoaceitação, sem marcas de fato de banho.
Chamo-me Victoria. Sou de Portugal. Nos últimos dois anos, tenho treinado a sério no ginásio e, sinceramente, adoro a forma como o meu corpo mudou.
Antes, era simplesmente magra. Agora sinto-me mais forte, mais confiante, mais composta. Os meus ombros estão melhores, a minha cintura parece mais definida, as minhas pernas estão mais firmes e, acima de tudo, tenho orgulho na forma como o meu corpo fica visto de trás. Sim, isto soa atrevido, mas não vou fingir que não reparo nisso ao espelho. Trabalhei para isto. Treinei, fiz agachamentos, fiz afundos, aguentei os músculos doridos — e agora gosto do resultado.
E algalgures cá dentro havia aquele pensamento engraçado: “Bem, agora estou com bom aspeto — mas quem é que chega a vê-lo?”
Numa praia normal, está tudo escondido debaixo do fato de banho. Podes escolher um corte que te favoreça, deitar-te de forma bonita, apanhar a luz certa, mas continua a haver tecido entre ti e o sol. Alças, linhas, limites. E eu queria, pelo menos uma vez, sentir-me sem esses limites.
Por isso, quando me vi pela primeira vez numa praia de nudismo, algo dentro de mim fez clique.
Disse a mim mesma que tinha vindo “só para ver”. Mas, honestamente, já sabia que queria experimentar. A praia estava calma e soalheira, e as pessoas à minha volta comportavam-se com naturalidade: uma lia, outra nadava, outra estava deitada numa toalha. Ninguém transformava a nudez num espetáculo.
Mas dentro de mim era um espetáculo.
Estendi a minha toalha, tirei o vestido e depois o fato de banho. Ao início, sentei-me depressa, quase a esconder-me atrás do próprio movimento. O meu coração batia tão alto que eu o ouvia por cima do mar. Parecia que toda a gente à minha volta soubera logo que eu era nova ali, nervosa, a sentir cada olhar com demasiada intensidade.
Depois deitei-me de barriga para baixo.
E foi aí que começou a parte mais interessante.
O sol tocou-me nas costas, nos ombros e nas pernas. O vento passava-me pela pele. Sentia que não tinha nada em cima de mim — nenhum tecido, nenhuma alça, nenhuma daquelas linhas irritantes que depois estragam o bronzeado. O meu corpo estava aberto por completo, de forma natural, honesta.
E sim, eu sabia perfeitamente que parte do meu corpo estava especialmente bonita naquele momento.
Não vou fingir-me inocente. Gostei daquela sensação. Gostei de saber que estava ali deitada, nua, confiante, com um corpo que trabalhei durante dois anos. Gostei que já nada estivesse escondido debaixo de um fato de banho, e que cada parte de mim pudesse sentir o sol tão livremente como os meus ombros ou as minhas pernas.
Ao início, senti vergonha. Depois essa vergonha tornou-se quente, quase agradável. Não me esmagou. Empurrou-me um bocadinho: “Pronto, conseguiste. E o que aconteceu? O mundo não desabou.”
Passado algum tempo, apanhei-me a mudar de posição de forma um pouco mais consciente. Nada vulgar, nada “para alguém”, mas de maneira a deixar o sol cair de forma bonita sobre o meu corpo. Estiquei as pernas, virei a cabeça, ajeitei o cabelo, relaxei as costas. E, de cada vez, surgia dentro de mim um prazer discreto e atrevido: já não me estava a esconder.
O momento engraçado aconteceu quase de imediato.
Um homem passou por mim com um livro e uma garrafa de água. Estava claramente a tentar parecer o mais intelectual possível: óculos, cara séria, uma expressão que dizia “estou aqui puramente pela filosofia e pelo mar”. Mas, a certa altura, ficou tão concentrado em não olhar na minha direção que pisou o próprio chinelo, tropeçou e quase deixou cair o livro na areia.
Não consegui deixar de rir.
Ele corou, apanhou o livro e disse:
“Desculpe, eu só… não vi o caminho.”
Sorri.
“Acontece. O sol está muito forte.”
Ele acenou com a cabeça de forma tão séria, como se estivéssemos a discutir uma questão científica importante, e afastou-se depressa. Fiquei ali a rir para dentro da toalha durante mais uns cinco minutos. Havia algo de muito humano naquilo: somos todos adultos, todos fazem de conta que está tudo normal, mas às vezes basta uma mulher aberta e confiante numa praia para arruinar por completo a orientação de alguém.
Depois disso, senti-me mais leve.
Percebi que uma praia de nudismo não é um lugar onde tens de ser perfeita. É um lugar onde podes ser real. Uma é magra, outra é mais cheia, uma é jovem, outra é mais velha, cada uma tem corpos diferentes. E, de certa forma, isso acalma-te. Deixas de te comparar pelas regras das revistas e começas a sentir o teu corpo como algo vivo.
Mas não vou mentir: gostei de me sentir atraente.
Gostei de saber que podia ser desejável sem ter de provar nada. Gostei de sentir o sol tocar-me a pele sem fato de banho. Gostei de pensar que o meu corpo não era um problema, nem um motivo de vergonha, nem uma coleção de defeitos, mas o resultado da minha força, disciplina e feminilidade.
Caminhei devagar em direção à água. Não porque quisesse dar espetáculo. Simplesmente não queria apressar-me nem cobrir-me, pela primeira vez em muito tempo. A areia estava quente, o mar brilhava e as pessoas à minha volta tratavam da vida delas. Entrei na água e, quando ela me subiu acima das coxas, expirei tão fundo que parecia ter largado não só o fato de banho, mas também alguma tensão antiga que tinha cá dentro.
Nadar nua foi incrível.
A água move-se sobre o corpo sem barreiras. Nada te aperta, nada te cola, nada te divide entre “permitido mostrar” e “tem de ficar escondido”. Simplesmente existes. Mulher, mar, sol, pele, respiração.
Quando voltei a sair e me deitei na toalha, já não sentia o mesmo tremor nervoso. A vergonha continuava lá, mas tinha-se tornado leve. Quase agradável. Não me sentia imprudente. Sentia-me livre. Não “má”, mas viva. Não exposta para exibição, mas finalmente honesta comigo mesma.
Para mim, o nudismo não é só um bronzeado sem marcas de fato de banho, embora isso seja uma enorme vantagem. É sobre a possibilidade de deixar de me editar a toda a hora. Não meter a barriga para dentro a cada segundo. Não pensar em como o tecido assenta. Não escolher o “ângulo bom”. Não pedir desculpa por ter um corpo.
Sobretudo um corpo de que gosto.
Percebo que há ousadia em mim. Um desejo de ser notada. Um prazer em saber que estou bem. Mas agora já não vejo isso como algo errado. Se for respeitoso, calmo e no sítio certo, porque haveria de ter vergonha da minha própria atração?
Quero conhecer pessoas que compreendam este sentimento. Pessoas abertas, respeitosas, vivas, para quem o naturismo não é algo estranho ou vulgar, mas uma forma de se aproximarem de si mesmas.
Do sol.
Da água.
Do corpo.
Da liberdade.
E é provável que volte a esse tipo de praia mais do que uma vez.
Porque, ao fim de dois anos de treino, sabe muito bem deixar finalmente o meu corpo não só trabalhar — mas brilhar.
Antes, era simplesmente magra. Agora sinto-me mais forte, mais confiante, mais composta. Os meus ombros estão melhores, a minha cintura parece mais definida, as minhas pernas estão mais firmes e, acima de tudo, tenho orgulho na forma como o meu corpo fica visto de trás. Sim, isto soa atrevido, mas não vou fingir que não reparo nisso ao espelho. Trabalhei para isto. Treinei, fiz agachamentos, fiz afundos, aguentei os músculos doridos — e agora gosto do resultado.
E algalgures cá dentro havia aquele pensamento engraçado: “Bem, agora estou com bom aspeto — mas quem é que chega a vê-lo?”
Numa praia normal, está tudo escondido debaixo do fato de banho. Podes escolher um corte que te favoreça, deitar-te de forma bonita, apanhar a luz certa, mas continua a haver tecido entre ti e o sol. Alças, linhas, limites. E eu queria, pelo menos uma vez, sentir-me sem esses limites.
Por isso, quando me vi pela primeira vez numa praia de nudismo, algo dentro de mim fez clique.
Disse a mim mesma que tinha vindo “só para ver”. Mas, honestamente, já sabia que queria experimentar. A praia estava calma e soalheira, e as pessoas à minha volta comportavam-se com naturalidade: uma lia, outra nadava, outra estava deitada numa toalha. Ninguém transformava a nudez num espetáculo.
Mas dentro de mim era um espetáculo.
Estendi a minha toalha, tirei o vestido e depois o fato de banho. Ao início, sentei-me depressa, quase a esconder-me atrás do próprio movimento. O meu coração batia tão alto que eu o ouvia por cima do mar. Parecia que toda a gente à minha volta soubera logo que eu era nova ali, nervosa, a sentir cada olhar com demasiada intensidade.
Depois deitei-me de barriga para baixo.
E foi aí que começou a parte mais interessante.
O sol tocou-me nas costas, nos ombros e nas pernas. O vento passava-me pela pele. Sentia que não tinha nada em cima de mim — nenhum tecido, nenhuma alça, nenhuma daquelas linhas irritantes que depois estragam o bronzeado. O meu corpo estava aberto por completo, de forma natural, honesta.
E sim, eu sabia perfeitamente que parte do meu corpo estava especialmente bonita naquele momento.
Não vou fingir-me inocente. Gostei daquela sensação. Gostei de saber que estava ali deitada, nua, confiante, com um corpo que trabalhei durante dois anos. Gostei que já nada estivesse escondido debaixo de um fato de banho, e que cada parte de mim pudesse sentir o sol tão livremente como os meus ombros ou as minhas pernas.
Ao início, senti vergonha. Depois essa vergonha tornou-se quente, quase agradável. Não me esmagou. Empurrou-me um bocadinho: “Pronto, conseguiste. E o que aconteceu? O mundo não desabou.”
Passado algum tempo, apanhei-me a mudar de posição de forma um pouco mais consciente. Nada vulgar, nada “para alguém”, mas de maneira a deixar o sol cair de forma bonita sobre o meu corpo. Estiquei as pernas, virei a cabeça, ajeitei o cabelo, relaxei as costas. E, de cada vez, surgia dentro de mim um prazer discreto e atrevido: já não me estava a esconder.
O momento engraçado aconteceu quase de imediato.
Um homem passou por mim com um livro e uma garrafa de água. Estava claramente a tentar parecer o mais intelectual possível: óculos, cara séria, uma expressão que dizia “estou aqui puramente pela filosofia e pelo mar”. Mas, a certa altura, ficou tão concentrado em não olhar na minha direção que pisou o próprio chinelo, tropeçou e quase deixou cair o livro na areia.
Não consegui deixar de rir.
Ele corou, apanhou o livro e disse:
“Desculpe, eu só… não vi o caminho.”
Sorri.
“Acontece. O sol está muito forte.”
Ele acenou com a cabeça de forma tão séria, como se estivéssemos a discutir uma questão científica importante, e afastou-se depressa. Fiquei ali a rir para dentro da toalha durante mais uns cinco minutos. Havia algo de muito humano naquilo: somos todos adultos, todos fazem de conta que está tudo normal, mas às vezes basta uma mulher aberta e confiante numa praia para arruinar por completo a orientação de alguém.
Depois disso, senti-me mais leve.
Percebi que uma praia de nudismo não é um lugar onde tens de ser perfeita. É um lugar onde podes ser real. Uma é magra, outra é mais cheia, uma é jovem, outra é mais velha, cada uma tem corpos diferentes. E, de certa forma, isso acalma-te. Deixas de te comparar pelas regras das revistas e começas a sentir o teu corpo como algo vivo.
Mas não vou mentir: gostei de me sentir atraente.
Gostei de saber que podia ser desejável sem ter de provar nada. Gostei de sentir o sol tocar-me a pele sem fato de banho. Gostei de pensar que o meu corpo não era um problema, nem um motivo de vergonha, nem uma coleção de defeitos, mas o resultado da minha força, disciplina e feminilidade.
Caminhei devagar em direção à água. Não porque quisesse dar espetáculo. Simplesmente não queria apressar-me nem cobrir-me, pela primeira vez em muito tempo. A areia estava quente, o mar brilhava e as pessoas à minha volta tratavam da vida delas. Entrei na água e, quando ela me subiu acima das coxas, expirei tão fundo que parecia ter largado não só o fato de banho, mas também alguma tensão antiga que tinha cá dentro.
Nadar nua foi incrível.
A água move-se sobre o corpo sem barreiras. Nada te aperta, nada te cola, nada te divide entre “permitido mostrar” e “tem de ficar escondido”. Simplesmente existes. Mulher, mar, sol, pele, respiração.
Quando voltei a sair e me deitei na toalha, já não sentia o mesmo tremor nervoso. A vergonha continuava lá, mas tinha-se tornado leve. Quase agradável. Não me sentia imprudente. Sentia-me livre. Não “má”, mas viva. Não exposta para exibição, mas finalmente honesta comigo mesma.
Para mim, o nudismo não é só um bronzeado sem marcas de fato de banho, embora isso seja uma enorme vantagem. É sobre a possibilidade de deixar de me editar a toda a hora. Não meter a barriga para dentro a cada segundo. Não pensar em como o tecido assenta. Não escolher o “ângulo bom”. Não pedir desculpa por ter um corpo.
Sobretudo um corpo de que gosto.
Percebo que há ousadia em mim. Um desejo de ser notada. Um prazer em saber que estou bem. Mas agora já não vejo isso como algo errado. Se for respeitoso, calmo e no sítio certo, porque haveria de ter vergonha da minha própria atração?
Quero conhecer pessoas que compreendam este sentimento. Pessoas abertas, respeitosas, vivas, para quem o naturismo não é algo estranho ou vulgar, mas uma forma de se aproximarem de si mesmas.
Do sol.
Da água.
Do corpo.
Da liberdade.
E é provável que volte a esse tipo de praia mais do que uma vez.
Porque, ao fim de dois anos de treino, sabe muito bem deixar finalmente o meu corpo não só trabalhar — mas brilhar.
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