Zoe: A Zoe, de Valência, sonha em experimentar o naturismo, mas antes de se atrever a ir a uma praia de nudismo, dá o seu primeiro passo corajoso no terraço soalheiro do seu apartamento — com uma divertida surpresa vinda da varanda.
Chamo-me Zoe. Sou de Espanha e vivo em Valência. Sempre me achei uma rapariga bastante corajosa. Mas agora, quando leio as histórias das mulheres do vosso site, percebo: não, ainda tenho um longo caminho a percorrer até chegar à verdadeira coragem.
Olho para as fotografias delas e leio como se atrevem, pela primeira vez, a tirar o fato de banho, como tremem de vergonha no início e, de repente, percebem que a nudez não é assustadora. É liberdade. Luz do sol. Pele. Um corpo sem fronteiras desnecessárias. E de cada vez apanho-me a pensar: “Também quero isso.” É por isso que estou a publicar aqui as minhas primeiras fotografias no terraço, na galeria privada do vosso site. Não porque já seja assim tão corajosa. Mas porque este é o meu primeiro passo a sério.
Ainda não fui a uma praia naturista. Na minha cabeça consigo imaginar tudo lindamente: o mar, uma toalha, pessoas tranquilas à minha volta, tiro o fato de banho e, de repente, deixo de ter medo. Mas no momento em que imagino a realidade, a cobarde que há em mim acorda. Por isso decidi começar em casa.
Temos um terraço grande e aberto no quarto andar. Vulgar, nada luxuoso: azulejos, uma espreguiçadeira velha, vasos com plantas, uma mesinha, uma garrafa de água, molas da roupa, uma toalha. À nossa frente há outro prédio, bastante afastado, mas mesmo assim as varandas veem-se com nitidez. Os meus pais saem muitas vezes para tratar de coisas e, um dia, percebi: esta era a minha oportunidade.
Quando a porta se fechou atrás deles, ainda passei mais dez minutos a andar pelo apartamento. Estava a verificar se estava mesmo sozinha. Depois saí para o terraço com um vestido leve e o fato de banho por baixo. O sol já aquecia os azulejos e o ar estava seco, valenciano, de verão.
Primeiro, tirei o vestido.
Depois, a parte de cima do fato de banho.
O coração começou a bater com força, como se eu não estivesse no meu próprio terraço, mas diante de uma multidão. Apesar de não haver ninguém à volta. Quase ninguém. Apenas as varandas do outro lado da rua, plantas alheias, cadeiras alheias, vidas alheias.
Percebi que, se deixasse a roupa por perto, perderia a coragem num minuto. Agarraria o vestido, tapar-me-ia, sentar-me-ia num canto e ficaria zangada comigo mesma. Por isso fiz uma coisa parva que ainda hoje me faz rir.
Juntei o vestido, o fato de banho, a toalha — tudo o que poderia ter usado para me tapar — e atirei-o de volta pela porta para dentro do apartamento, para longe do terraço.
Depois tirei rapidamente a parte de baixo do fato de banho.
E foi só isto.
Estava ali, nua, no terraço, enquanto toda a minha “roupa de salvação” ficava lá dentro, no apartamento.
Nos primeiros segundos, senti-me assustada e muito divertida ao mesmo tempo. Por um lado, aquela era a minha casa, o meu terraço, o meu sol. Por outro, acabara de armar uma armadilha a mim mesma para não conseguir fugir. Agora, para me tapar, teria de me levantar, atravessar o terraço inteiro até à porta e fazê-lo completamente exposta.
Deitei-me na espreguiçadeira, de barriga para baixo.
E quase de imediato percebi por que razão as mulheres do vosso site escrevem tanto sobre esta sensação. O sol tocava-me nas costas, nas pernas, nos ombros e no rabo. Sem alças. Sem linhas brancas. Sem tecido a dividir o corpo em “permitido” e “não permitido.” Apenas pele, calor e ar.
No início, fiquei ali tensa, como quem finge relaxar. Depois, aos poucos, o meu corpo soltou-se. Já não pensava a cada segundo: “Estou nua.” Simplesmente sentia como era bom estar sem fato de banho.
Passou cerca de meia hora.
E então começou a parte mais engraçada.
Virei a cabeça sem querer para o prédio em frente e reparei num movimento numa das varandas. O prédio estava longe, mas a varanda via-se bem. Alguém saiu. Um homem, penso eu. Ficou ali uns segundos e depois desapareceu.
Quase me acalmei.
“Se calhar imaginei,” pensei.
“Só saiu para a varanda.”
“Nem sequer estava a olhar para o meu lado.”
E então ele voltou.
De óculos.
Naquele momento, quase morri de vergonha e de riso ao mesmo tempo. Porque, até ali, ainda podia pensar que a pessoa tinha simplesmente saído por acaso. Mas agora parecia que tinha ido buscar os óculos para perceber melhor o que exatamente se passava no terraço distante em frente.
E o pior: eu não me podia levantar.
Toda a minha roupa estava lá dentro, no apartamento. Fui eu própria que a atirei para lá para não me acobardar. Enquanto estivesse deitada de barriga para baixo, se ele visse alguma coisa, só poderia ver as minhas costas e o meu rabo. Constrangedor, sim, mas suportável. Mas se me levantasse para ir buscar o vestido, veria tudo.
Por isso tomei a decisão mais lógica: não me mexer.
Fiquei ali deitada como uma estátua. Fingi ser uma naturista calma, adulta e confiante, que apenas apanhava sol no seu terraço e não tinha o mínimo interesse nas varandas vizinhas. Na realidade, dentro de mim reinava o caos total.
Ele estava na varanda. Eu estava na espreguiçadeira. Entre nós havia distância, luz do sol, a rua, o ar e uma situação que seria impossível explicar de forma normal se alguém perguntasse.
Não sabia se ele conseguia ver-me. Talvez tivesse mesmo má vista. Talvez estivesse a olhar para um pássaro. Talvez tivesse apenas saído para verificar a roupa estendida. Mas a minha imaginação já tinha desenhado a história toda: ele saiu, reparou em algo estranho, voltou de óculos e estava agora a tentar perceber se uma rapariga no terraço em frente estava mesmo a apanhar sol sem fato de banho.
E o mais estranho foi que não me apeteceu esconder-me tanto quanto esperava.
Estava envergonhada. Muito envergonhada. As bochechas ardiam-me. Mas, juntamente com a vergonha, veio outro sentimento: quente, vivo, atrevido. Não estava a fugir. Não me estava a tapar. Não estava a transformar aquilo numa catástrofe. Estava simplesmente deitada ao sol e, pela primeira vez, a permitir-me não desaparecer do meu próprio medo.
Passados uns minutos, o homem saiu da varanda.
Esperei.
Depois um pouco mais.
E só quando tive a certeza de que ele tinha ido embora é que me levantei devagar, fui rapidamente até à porta, agarrei o vestido lá dentro e comecei a rir. Tanto que tive de me voltar a sentar na espreguiçadeira.
A minha primeira “prática naturista” tinha-se transformado numa comédia com uma varanda vizinha, óculos de leitura e a minha própria ideia brilhante de atirar toda a roupa para longe de mim.
Mas, depois disso, senti-me mais leve.
Percebi que nada de terrível tinha acontecido. O mundo não desabou. Ninguém gritou. Ninguém veio a correr. Mesmo que alguém me tivesse visto, não seria o fim do mundo. Foi apenas um momento — desajeitado, engraçado, muito humano.
Nessa mesma noite, só conseguia pensar numa coisa: quando é que os meus pais iam sair outra vez?
Poucos dias depois, esse momento chegou. E, desta vez, não andei aos círculos pelo apartamento. Assim que percebi que não estava ninguém em casa, saí quase de imediato para o terraço.
Vestido — dentro do apartamento.
Fato de banho — também lá.
Toalha — igualmente longe.
Já sabia: se me deixasse uma via de fuga, iria usá-la.
Deitei-me na espreguiçadeira, nua, desta vez sem o mesmo pânico. Claro que o nervosismo permaneceu. Olhei um par de vezes para aquela mesma varanda em frente. Mas agora até me fazia rir. Pensei: “Espero que ele tenha o dia de folga das observações.”
O sol fez rapidamente o seu trabalho. Relaxei. Deitei-me de barriga para baixo, depois de costas, depois sentei-me na beira da espreguiçadeira e simplesmente olhei para a minha pele, para a luz, para as linhas do meu corpo. Gostava que o meu bronzeado ficasse uniforme. Gostava que o fato de banho não deixasse marcas brancas. Gostava de não me estar a esconder de mim mesma.
Ao fim de cerca de uma hora, montei o telemóvel e fiz uma pequena sessão de selfies para a galeria privada do vosso site.
No início, foi terrivelmente desajeitado. Não sabia onde pôr as mãos. Às vezes parecia demasiado séria, às vezes demasiado assustada, às vezes como alguém que carregou no botão da câmara por acidente. Depois comecei a rir. E foi aí que as fotografias melhoraram.
Sentei-me na espreguiçadeira. Encostei-me à parede. Virei-me para o sol. Tapei a cara da luz com a mão. Ri. Nalgumas fotografias, ainda estava tímida. Noutras, parecia inesperadamente confiante. E numa delas parecia tão viva que fiquei muito tempo a olhar para o ecrã e pensei: “Aqui está ela. Sou eu.”
Não perfeita.
Não uma modelo profissional.
Não uma rapariga que já consegue entrar tranquilamente numa praia naturista.
Mas uma rapariga que deu o seu primeiro passo.
E gosto disso.
Ainda não sei se estou pronta para entrar numa grande praia naturista e tirar o fato de banho no meio das pessoas. Talvez ainda fique ali de pé com uma toalha nas mãos, a fingir que procuro um lugar. Talvez a minha cobarde interior comece outra vez a dar ordens.
Mas agora tenho experiência.
O meu terraço tornou-se a minha pequena praia naturista pessoal. Sem o mar. Sem areia. Sem multidão. Mas com luz do sol, ar, medo, riso, uma varanda vizinha e uma descoberta muito importante: o meu corpo não tem de estar sempre escondido.
Para mim, a nudez está a tornar-se não algo proibido, mas algo honesto. Tem a ver com confiar em mim mesma. Com o direito de gostar de mim sem fato de banho. Com o prazer de sentir o sol em toda a minha pele. Com o momento em que deixamos de nos dividir em partes que “podem ser mostradas” e partes que “têm de ser escondidas imediatamente.”
Quero conhecer pessoas abertas e respeitosas que compreendam esta sensação. Pessoas para quem o naturismo não é algo estranho nem motivo para piadas sujas, mas uma forma de nos aproximarmos de nós mesmos, do corpo, do sol e da liberdade.
E o próximo passo?
Provavelmente uma verdadeira praia naturista.
E se um dia finalmente tirar o fato de banho à beira-mar, hei de lembrar-me com toda a certeza daquele primeiro dia em Valência. O terraço. A espreguiçadeira. O sol. A varanda em frente.
E a pessoa que possivelmente voltou de óculos para ver melhor a minha primeira pequena vitória.
Olho para as fotografias delas e leio como se atrevem, pela primeira vez, a tirar o fato de banho, como tremem de vergonha no início e, de repente, percebem que a nudez não é assustadora. É liberdade. Luz do sol. Pele. Um corpo sem fronteiras desnecessárias. E de cada vez apanho-me a pensar: “Também quero isso.” É por isso que estou a publicar aqui as minhas primeiras fotografias no terraço, na galeria privada do vosso site. Não porque já seja assim tão corajosa. Mas porque este é o meu primeiro passo a sério.
Ainda não fui a uma praia naturista. Na minha cabeça consigo imaginar tudo lindamente: o mar, uma toalha, pessoas tranquilas à minha volta, tiro o fato de banho e, de repente, deixo de ter medo. Mas no momento em que imagino a realidade, a cobarde que há em mim acorda. Por isso decidi começar em casa.
Temos um terraço grande e aberto no quarto andar. Vulgar, nada luxuoso: azulejos, uma espreguiçadeira velha, vasos com plantas, uma mesinha, uma garrafa de água, molas da roupa, uma toalha. À nossa frente há outro prédio, bastante afastado, mas mesmo assim as varandas veem-se com nitidez. Os meus pais saem muitas vezes para tratar de coisas e, um dia, percebi: esta era a minha oportunidade.
Quando a porta se fechou atrás deles, ainda passei mais dez minutos a andar pelo apartamento. Estava a verificar se estava mesmo sozinha. Depois saí para o terraço com um vestido leve e o fato de banho por baixo. O sol já aquecia os azulejos e o ar estava seco, valenciano, de verão.
Primeiro, tirei o vestido.
Depois, a parte de cima do fato de banho.
O coração começou a bater com força, como se eu não estivesse no meu próprio terraço, mas diante de uma multidão. Apesar de não haver ninguém à volta. Quase ninguém. Apenas as varandas do outro lado da rua, plantas alheias, cadeiras alheias, vidas alheias.
Percebi que, se deixasse a roupa por perto, perderia a coragem num minuto. Agarraria o vestido, tapar-me-ia, sentar-me-ia num canto e ficaria zangada comigo mesma. Por isso fiz uma coisa parva que ainda hoje me faz rir.
Juntei o vestido, o fato de banho, a toalha — tudo o que poderia ter usado para me tapar — e atirei-o de volta pela porta para dentro do apartamento, para longe do terraço.
Depois tirei rapidamente a parte de baixo do fato de banho.
E foi só isto.
Estava ali, nua, no terraço, enquanto toda a minha “roupa de salvação” ficava lá dentro, no apartamento.
Nos primeiros segundos, senti-me assustada e muito divertida ao mesmo tempo. Por um lado, aquela era a minha casa, o meu terraço, o meu sol. Por outro, acabara de armar uma armadilha a mim mesma para não conseguir fugir. Agora, para me tapar, teria de me levantar, atravessar o terraço inteiro até à porta e fazê-lo completamente exposta.
Deitei-me na espreguiçadeira, de barriga para baixo.
E quase de imediato percebi por que razão as mulheres do vosso site escrevem tanto sobre esta sensação. O sol tocava-me nas costas, nas pernas, nos ombros e no rabo. Sem alças. Sem linhas brancas. Sem tecido a dividir o corpo em “permitido” e “não permitido.” Apenas pele, calor e ar.
No início, fiquei ali tensa, como quem finge relaxar. Depois, aos poucos, o meu corpo soltou-se. Já não pensava a cada segundo: “Estou nua.” Simplesmente sentia como era bom estar sem fato de banho.
Passou cerca de meia hora.
E então começou a parte mais engraçada.
Virei a cabeça sem querer para o prédio em frente e reparei num movimento numa das varandas. O prédio estava longe, mas a varanda via-se bem. Alguém saiu. Um homem, penso eu. Ficou ali uns segundos e depois desapareceu.
Quase me acalmei.
“Se calhar imaginei,” pensei.
“Só saiu para a varanda.”
“Nem sequer estava a olhar para o meu lado.”
E então ele voltou.
De óculos.
Naquele momento, quase morri de vergonha e de riso ao mesmo tempo. Porque, até ali, ainda podia pensar que a pessoa tinha simplesmente saído por acaso. Mas agora parecia que tinha ido buscar os óculos para perceber melhor o que exatamente se passava no terraço distante em frente.
E o pior: eu não me podia levantar.
Toda a minha roupa estava lá dentro, no apartamento. Fui eu própria que a atirei para lá para não me acobardar. Enquanto estivesse deitada de barriga para baixo, se ele visse alguma coisa, só poderia ver as minhas costas e o meu rabo. Constrangedor, sim, mas suportável. Mas se me levantasse para ir buscar o vestido, veria tudo.
Por isso tomei a decisão mais lógica: não me mexer.
Fiquei ali deitada como uma estátua. Fingi ser uma naturista calma, adulta e confiante, que apenas apanhava sol no seu terraço e não tinha o mínimo interesse nas varandas vizinhas. Na realidade, dentro de mim reinava o caos total.
Ele estava na varanda. Eu estava na espreguiçadeira. Entre nós havia distância, luz do sol, a rua, o ar e uma situação que seria impossível explicar de forma normal se alguém perguntasse.
Não sabia se ele conseguia ver-me. Talvez tivesse mesmo má vista. Talvez estivesse a olhar para um pássaro. Talvez tivesse apenas saído para verificar a roupa estendida. Mas a minha imaginação já tinha desenhado a história toda: ele saiu, reparou em algo estranho, voltou de óculos e estava agora a tentar perceber se uma rapariga no terraço em frente estava mesmo a apanhar sol sem fato de banho.
E o mais estranho foi que não me apeteceu esconder-me tanto quanto esperava.
Estava envergonhada. Muito envergonhada. As bochechas ardiam-me. Mas, juntamente com a vergonha, veio outro sentimento: quente, vivo, atrevido. Não estava a fugir. Não me estava a tapar. Não estava a transformar aquilo numa catástrofe. Estava simplesmente deitada ao sol e, pela primeira vez, a permitir-me não desaparecer do meu próprio medo.
Passados uns minutos, o homem saiu da varanda.
Esperei.
Depois um pouco mais.
E só quando tive a certeza de que ele tinha ido embora é que me levantei devagar, fui rapidamente até à porta, agarrei o vestido lá dentro e comecei a rir. Tanto que tive de me voltar a sentar na espreguiçadeira.
A minha primeira “prática naturista” tinha-se transformado numa comédia com uma varanda vizinha, óculos de leitura e a minha própria ideia brilhante de atirar toda a roupa para longe de mim.
Mas, depois disso, senti-me mais leve.
Percebi que nada de terrível tinha acontecido. O mundo não desabou. Ninguém gritou. Ninguém veio a correr. Mesmo que alguém me tivesse visto, não seria o fim do mundo. Foi apenas um momento — desajeitado, engraçado, muito humano.
Nessa mesma noite, só conseguia pensar numa coisa: quando é que os meus pais iam sair outra vez?
Poucos dias depois, esse momento chegou. E, desta vez, não andei aos círculos pelo apartamento. Assim que percebi que não estava ninguém em casa, saí quase de imediato para o terraço.
Vestido — dentro do apartamento.
Fato de banho — também lá.
Toalha — igualmente longe.
Já sabia: se me deixasse uma via de fuga, iria usá-la.
Deitei-me na espreguiçadeira, nua, desta vez sem o mesmo pânico. Claro que o nervosismo permaneceu. Olhei um par de vezes para aquela mesma varanda em frente. Mas agora até me fazia rir. Pensei: “Espero que ele tenha o dia de folga das observações.”
O sol fez rapidamente o seu trabalho. Relaxei. Deitei-me de barriga para baixo, depois de costas, depois sentei-me na beira da espreguiçadeira e simplesmente olhei para a minha pele, para a luz, para as linhas do meu corpo. Gostava que o meu bronzeado ficasse uniforme. Gostava que o fato de banho não deixasse marcas brancas. Gostava de não me estar a esconder de mim mesma.
Ao fim de cerca de uma hora, montei o telemóvel e fiz uma pequena sessão de selfies para a galeria privada do vosso site.
No início, foi terrivelmente desajeitado. Não sabia onde pôr as mãos. Às vezes parecia demasiado séria, às vezes demasiado assustada, às vezes como alguém que carregou no botão da câmara por acidente. Depois comecei a rir. E foi aí que as fotografias melhoraram.
Sentei-me na espreguiçadeira. Encostei-me à parede. Virei-me para o sol. Tapei a cara da luz com a mão. Ri. Nalgumas fotografias, ainda estava tímida. Noutras, parecia inesperadamente confiante. E numa delas parecia tão viva que fiquei muito tempo a olhar para o ecrã e pensei: “Aqui está ela. Sou eu.”
Não perfeita.
Não uma modelo profissional.
Não uma rapariga que já consegue entrar tranquilamente numa praia naturista.
Mas uma rapariga que deu o seu primeiro passo.
E gosto disso.
Ainda não sei se estou pronta para entrar numa grande praia naturista e tirar o fato de banho no meio das pessoas. Talvez ainda fique ali de pé com uma toalha nas mãos, a fingir que procuro um lugar. Talvez a minha cobarde interior comece outra vez a dar ordens.
Mas agora tenho experiência.
O meu terraço tornou-se a minha pequena praia naturista pessoal. Sem o mar. Sem areia. Sem multidão. Mas com luz do sol, ar, medo, riso, uma varanda vizinha e uma descoberta muito importante: o meu corpo não tem de estar sempre escondido.
Para mim, a nudez está a tornar-se não algo proibido, mas algo honesto. Tem a ver com confiar em mim mesma. Com o direito de gostar de mim sem fato de banho. Com o prazer de sentir o sol em toda a minha pele. Com o momento em que deixamos de nos dividir em partes que “podem ser mostradas” e partes que “têm de ser escondidas imediatamente.”
Quero conhecer pessoas abertas e respeitosas que compreendam esta sensação. Pessoas para quem o naturismo não é algo estranho nem motivo para piadas sujas, mas uma forma de nos aproximarmos de nós mesmos, do corpo, do sol e da liberdade.
E o próximo passo?
Provavelmente uma verdadeira praia naturista.
E se um dia finalmente tirar o fato de banho à beira-mar, hei de lembrar-me com toda a certeza daquele primeiro dia em Valência. O terraço. A espreguiçadeira. O sol. A varanda em frente.
E a pessoa que possivelmente voltou de óculos para ver melhor a minha primeira pequena vitória.
Veja a prévia em vídeo do RudeFly
Você leu parte da história. Agora veja do que o RudeFly realmente se trata.
▶ VER PRÉVIA GRÁTIS
Não é necessário cadastro
Quer continuar lendo?
Criar uma conta grátis →